Antes, o consenso geral era que as ameaças à segurança dos dados vinham principalmente de fora, e não de dentro, então foram criadas medidas de proteção de dados voltadas para o exterior. Só nos últimos anos é que muitas empresas perceberam que o vazamento ou a destruição de dados confidenciais pela equipe pode causar um impacto imensurável na empresa.Essa mudança de mentalidade começou com o caso de Edward Snowden — que trabalhava como técnico terceirizado na NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) e roubou documentos confidenciais importantes da agência.

Além do caso Snowden, um relatório público da Boscom também questionou a seguinte ideia: “As principais ameaças aos dados da empresa vêm de fora: hackers, espiões comerciais e outros concorrentes”.Esse relatório revelou um fato preocupante: quase 85% dos funcionários que saem da empresa levam dados confidenciais consigo. E, para um funcionário, levar dados confidenciais ao sair é algo relativamente fácil. Embora as informações que Snowden roubou da NSA tenham tido um enorme valor jornalístico, o caso também mostrou as graves consequências do vazamento de dados por parte de pessoas de dentro da organização.
Resumindo, fica fácil entender por que é tão difícil para as empresas garantirem a segurança dos dados, especialmente quando os riscos vêm dos próprios funcionários. O acesso dos funcionários aos dados internos da empresa é necessário para o trabalho. Se a gente restringir esse acesso, isso pode atrapalhar o trabalho deles e até mesmo afetar a capacidade de funcionamento de toda a empresa. Será que esse problema não tem solução?

Vamos analisar esse dilema usando um cenário real do setor: as corretoras de câmbio.
As corretoras têm diferentes departamentos, e cada um tem permissões de acesso distintas. Desde representantes de vendas até equipes de marketing (como especialistas em e-mail marketing), passando pelas diferentes categorias de clientes, devemos usar um software para configurar a visibilidade de informações de forma segmentada por departamento e cargo. Afinal, se um funcionário tiver acesso a informações fora de suas permissões, isso pode causar uma falha na segurança dos dados.É por isso que é tão importante dividir as permissões de acesso aos dados de acordo com a função. Essa também é a única maneira que as corretoras têm atualmente de proteger as informações contra ameaças internas em potencial, sem prejudicar a produtividade.
Sistema de gestão de CRM e tecnologia de criptografia de dados
No aspecto técnico, as ferramentas mais adequadas para as corretoras protegerem seus dados são o sistema de gestão de CRM e a tecnologia de criptografia de dados. O primeiro permite que a gerência defina quem tem acesso a quais dados, enquanto o segundo impede que pessoas não autorizadas acessem as informações por meio de dispositivos externos (como hackers).Uma vantagem da tecnologia de criptografia é que ela impede que funcionários mal-intencionados enviem dados confidenciais da empresa para fora, pois, se os dados forem divulgados sem a devida descriptografia, eles se tornam inúteis.
Para implementar melhor as medidas acima, é ainda mais importante que as corretoras definam uma estratégia de implementação dos recursos de segurança de dados. Isso significa que as medidas técnicas são determinadas por regras e regulamentos, e não pelos recursos disponíveis.Além de adotar medidas técnicas de proteção, a gerência também precisa definir claramente regras internas, como proibir o uso de pen drives na empresa, impedir que os funcionários acessem o sistema com contas de outras pessoas e assim por diante. Essas exigências parecem óbvias — algo que todos os funcionários devem seguir sem precisar de um acordo explícito —, mas, na prática, não é tão fácil evitar essas falhas.
Vazamentos de dados estão por toda parte
O caso de Edward Snowden nos fez perceber que as brechas de segurança de dados estão por toda parte. Afinal, se até os dados da poderosa Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) podem ser facilmente roubados, o que dizer de uma empresa? Na verdade, medidas adequadas de segurança de dados podem reduzir significativamente a vulnerabilidade da segurança dos dados da empresa.Falando no caso do Edward Snowden, é importante lembrar que tipo de pessoa rouba que tipo de informação: a NSA tem muito mais informações confidenciais do que uma empresa comum, e os agentes estão dispostos a correr riscos maiores para conseguir essas informações.Snowden e seus colegas roubaram informações por questões de princípios, enquanto os segredos comerciais são roubados por motivos financeiros e de lucro. Por isso, as medidas para impedir o roubo de segredos comerciais são, relativamente, mais simples e econômicas.
Resumindo, vivemos em um mundo onde os riscos relacionados a dados estão por toda parte, mas, ao mesmo tempo, existem muitas soluções tecnológicas e procedimentos operacionais padrão que podem reduzir significativamente esses riscos.Você precisa ficar atento e se antecipar às possíveis ameaças à segurança de dados, mas lembre-se também de que, embora essas ameaças estejam por toda parte, elas são controláveis — não é preciso sacrificar a produtividade e o lucro da empresa só para garantir a segurança dos dados.