Para muitos investidores no mercado de câmbio, parece que só existem dois tipos de plataformas de negociação: uma em que você negocia diretamente com a corretora,e a outra em que a corretora repassa as ordens para o mercado, sem assumir o risco cambial. Mas, na prática, o modelo de negociação desse segundo tipo de plataforma ainda pode ser dividido em STP e A-BOOK,e essa classificação dos modelos de negociação não só passa despercebida pela maioria dos investidores, como também muitas corretoras de câmbio costumam confundir os dois.
Na verdade, tanto nas negociações STP quanto nas A-BOOK, as corretoras de câmbio usam a cobertura de LP, mas há diferenças significativas nos detalhes operacionais. Então, especificamente, a que tipo de negociação cada uma dessas se refere e quais são as diferenças entre elas?
STP (Straight Through Processing), ou processamento direto, pode ser explicado de forma simples como “primeiro a cobertura, depois a execução da ordem”: ou seja, depois que o investidor coloca uma ordem na plataforma, a corretora de câmbio primeiro faz a cobertura junto ao provedor de liquidez e só depois conclui a transação com o investidor na plataforma. Já o A-BOOK funciona ao contrário: a ordem é concluída primeiro e a cobertura vem depois. Ou seja, a plataforma de câmbio permite que os negociadores concluam a transação antes de realizar a cobertura com o provedor de liquidez (LP).
Esses dois modelos de negociação parecem ter o mesmo resultado, só que a ordem das transações é diferente, mas na verdade não é bem assim. Quem já tem experiência no mercado de câmbio sabe que o preço final de cada negociação pode não ser o mesmo da cotação inicial; esse fenômeno é chamado de “slippage”.
Por que ocorre o slippage? É porque o mercado de câmbio é muito volátil; basicamente, os preços oscilam a cada momento. Se uma operação de câmbio demorar muito, é muito provável que ocorra slippage.
Mas, quando ocorre slippage, o STP e o A-BOOK transferem o risco para objetos diferentes. No STP, a plataforma faz primeiro a cobertura com o LP; por isso, ela não sofre slippage, já que a negociação é concluída quase instantaneamente. Já para o investidor, pra fechar uma negociação, ele precisa primeiro enviar uma cotação pra plataforma,a plataforma faz a cobertura com o LP e só depois executa a ordem desse investidor. Como a transação demora mais, é bem provável que ocorra slippage, o que pode resultar em prejuízo; já quando se usa o A-BOOK, o risco de slippage se inverte: fica por conta da plataforma. O investidor fecha a transação com a plataforma primeiro, e só depois a plataforma faz a cobertura, assumindo as perdas inesperadas.
Então, talvez alguém se pergunte: já que o STP não faz com que a plataforma assuma o risco de slippage, por que ainda assim algumas plataformas usam o A-BOOK para suas negociações e assumem voluntariamente as perdas decorrentes do slippage?
Isso porque o A-BOOK oferece uma experiência de negociação melhor para os investidores da plataforma. Ao usar o modelo de negociação A-BOOK, basta que o investidor execute a negociação no momento da cotação para que ela seja concluída quase que instantaneamente, sem precisar gastar muito tempo esperando para ver se vai rolar algum imprevisto ou se a negociação vai ser cancelada pela plataforma.
De modo geral, quanto maior for o volume de um investidor, mais importante se torna essa certeza nas negociações; por isso, muitos clientes de alto padrão costumam preferir plataformas que usam o modelo de negociação A-BOOK para fazer suas transações.
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